O paciente bipolar ora encanta, ora aborrece, ora se faz amar, ora desencadeia raiva. Quando Emil Kraepelin caracterizou a Psicose Maníaco-Depressiva, uniu o nome com os sintomas da doença.
Existe, sem dúvida, uma banalização do conceito dessa enfermidade que a psiquiatria, num primeiro tempo, se apropriou. O significado da Psicose Maníaco-Depressiva ganhou contornos que invocam vivência de emoções, sentimentos, afetos e humores intensos e extremados.
Para a pessoa que padece dessa doença, a banalização é penalizadora, pois diminui e desvaloriza o sofrimento e não permite que os outros percebam a real dimensão de uma trajetória de vida inevitavelmente difícil e, sobretudo, muito atribulada.
O Transtorno Bipolar inicia-se geralmente na juventude e irá evoluir por episódios de tristeza e depressão, euforia e expansividade de humor, zanga e irritação, períodos em que estes estados se misturam completamente.
Com o decorrer do tempo, sem tratamento, ou se este for ineficaz, o quadro tende a agravar-se e a tomar um formato crônico, em que a depressão costuma ser dominante.
Em casos graves, torna-se impossível ao paciente planejar sua vida, mesmo quando está bem, pois ele nunca sabe em que momento seu estado de humor irá claudicar.
Episódios da doença levam o indivíduo a interromper o trabalho ou o estudo, ameaçar a estabilidade e a continuidade da vida familiar e, assim, determinar um grau considerável de incerteza quanto ao futuro.
O doente bipolar vive uma contradição de afetos. Nessa condição estiveram o pintor Van Gogh, a escritora Virginia Woolf, o compositor Ludwig van Beethoven e o artista Robin Williams, demonstrando que a bipolaridade pode se associar ao talento.
Eventualmente, a patologia pode até intensificar a expressão artística, abrindo um canal de ligação entre vivência emocional e criatividade.
Tanto em pessoas doentes como em indivíduos sadios, a vida é composta pelo equilíbrio dinâmico entre os momentos de felicidade e de dor, sendo ambos essenciais para o amadurecimento emocional e a saúde mental.
Entretanto, quando as mudanças de humor se tornam significativas, traduzindo uma alteração relevante em relação ao que era o humor ou o comportamento, a pessoa deve procurar auxílio médico.
Na eventualidade de o indivíduo já ter tido episódios anteriores, a busca de ajuda deve ser ainda mais rápida.
Alegria exagerada, irritabilidade, agitação constante, aumento da atividade física, menor necessidade de dormir, fala rápida, dificuldade de foco, sensação de ideias atropeladas, sentimento de grandiosidade, desânimo, cansaço extremo, falta de interesse em coisas que antes davam alegria, insônia ou sono em excesso, perda ou ganho de peso, sensação de culpa, ideias de morte e suicídio, entre outros, são sintomas inerentes ao Transtorno Bipolar.
Entretanto, fora do contexto médico, eles podem se manifestar em qualquer ser humano. “A vida é assim mesmo. O céu precisa entrar em luto, para o sol dormir feliz”.