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Economia

Para os jovens, ascensão profissional é mais importante que salário, diz pesquisa

Levantamento nacional aponta que oportunidade de crescimento pesa mais na escolha do emprego do que a remuneração

Rodrigo Dib disse que ampliação das formas de trabalho fora do mercado formal fez os jovens terem mais opções

Última atualização



O que jovens buscam em um emprego? Um levantamento nacional aponta que eles consideram empresas fundamentais para garantir sua empregabilidade e que, embora considerem o salário importante, acima disso está o crescimento profissional.

A pesquisa foi realizada com 8.800 jovens de 14 a 24 anos, no País inteiro, pelo Instituto Locomotiva, a pedido do Centro de Integração Empresa-Escola (Ciee).

Quando questionados sobre motivo para escolha da empresa para trabalhar, 54% dos jovens responderam oportunidade de crescimento. Em seguida aparece boa remuneração e benefícios (43%).

Além disso, 79% concordaram que remuneração é importante, mas não o principal na escolha da empresa. Já 98% sonham em trabalhar em empresas que incentivem o desenvolvimento pessoal.

Para Rodrigo Dib, superintendente do Ciee, o resultado não foi surpresa. Ele diz que é comum escutar que os jovens buscam por flexibilidade, propósito e valorização em empresas como startups, mas a pesquisa mostrou o contrário.

“O jovem de hoje quer sim trabalhar, quer sim um emprego fixo, que consiga crescer, se desenvolver e, claro, ser respeitado”.

Além disso, ele explica que a ampliação das formas de trabalho fora do mercado formal, como a internet, os fez ter mais opções. “Por isso, quando decidem trabalhar, estão preocupados se o lugar que vão vai propiciar crescimento a eles”.

A analista de RH e mentora de carreiras, Eliana Machado observou após 28 anos de trabalho uma mudança de visão entre gerações.

“Acredito que a geração que antecedeu era uma que tinha mais dificuldades financeiras. Muitas vezes, precisavam contribuir com a renda familiar. Os jovens de hoje já não têm tanta necessidade e vêm com a visão de que podem escolher o estágio conforme princípios”.

Ressalta não estar generalizando e que ainda há que se pensar nas diferentes situações financeiras existentes no Brasil.

Katia Vasconcelos, Diretora de P&D e RH da consultoria Rhopen também afirma que as prioridades estão mudando. A consultoria também realizou uma pesquisa buscando identificar os valores no trabalho das diferentes gerações.

“Salário e benefícios são, foram e vão continuar sendo objeto de desejo e condição que sinaliza a possibilidade de um trabalho com dignidade, seguro e estável. Mas na medida em que o tempo passa, os grupos começaram a sentir necessidade de outros atributos, como possibilidade de carreira e desenvolvimento”.

Saúde mental é levada a sério por 98%, diz o levantamento

O levantamento do Instituto Locomotiva e do Ciee também questionou jovens sobre a importância da valorização mental nas empresas. Nove em cada dez responderam que é muito importante, ou seja, 98% do total.

A escolha desses jovens está conectada com uma cultura de bem-estar, explica Elcio Paulo Teixeira, especialista em recursos humanos.

“Ele avalia se a empresa proporciona o necessário para que ele mantenha sua saúde mental e tenha o equilíbrio para fazer suas atividades recreativas, como passar tempo com a família e com os amigos”.

A pandemia também influenciou a escolha desses jovens, explica o especialistas.

“Quando ficamos expostos ao confinamento, muitos casos de ansiedade começaram a surgir e ela vai evoluindo para outras questões mentais. Trabalhar em um ambiente saudável ajuda a regular esse fenômeno que boa parte da população já sentia, mas foi potencializado com a pandemia”.

Trabalho e vida pessoal passam a não serem mais divididos

Para Rodrigo Dib, superintendente do Ciee, em gerações anteriores as pessoas dividiam o que era trabalho e o que era vida pessoal. Jovens de hoje não fazem isso.

“Por muitas vezes, (gerações anteriores) negligenciaram seus sentimentos e sua saúde mental, entendendo que pressão no trabalho, estresse, condutas impositivas ‘faziam parte’ do que era trabalhar”, explica.

Para ele, o jovem de hoje em dia é mais crítico e não divide mais o que é trabalho e vida pessoal.

“Ele espera que a empresa onde for trabalhar seja um lugar de bom clima, bom ambiente, que respeite a sua individualidade e suas crenças e converse com o que ele acredita sobre o mundo”, afirma.

Aconselha ainda que os jovens tenham foco e profundidade quando forem buscar emprego.

“Foco em entender o seu perfil e procurar oportunidades que realmente tenham a ver consigo. Profundidade em estudar tudo sobre a vaga”, diz

O que diz o levantamento

A pesquisa

8.881 entrevistas foram realizadas com jovens entre 14 e 24 anos de todo o País. A pesquisa quantitativa digital por autopreenchimento foi disparada pelo Ciee para sua base de jovens.

Foi desenvolvida pelo Instituto Locomotiva a pedido do Ciee. A margem de erro é de 1 ponto percentual.

Empresas são fundamentais para empregabilidade?

  • 97% concordou que as empresas têm um papel fundamental para garantir a empregabilidade dos jovens no País.
  • 98% acreditam que as empresas que empregam jovens contribuem para desenvolvimento do Brasil.
  • 96% acreditam que as empresas devem ter programas específicos para empregarem jovens.
  • De região a região do País, a porcentagem varia. Mas, em todas, a concordância com as três afirmações acima fica acima de 75%.

O que os jovens buscam?

  • 79% concordam que a remuneração (salários e benefícios) é importante, mas não é o principal na escolha da empresa ideal para trabalhar.
  • 98% sonha em trabalhar em empresas que incentivam o desenvolvimento profissional.
  • 98% considera importante que as empresas valorizem os jovens.
  • 41% não trabalharia em empresas que não têm os mesmos valores. Outros 27% concordam em partes com essa afirmação. Isso equivale a 7 a cada 10 jovens.

O que os motiva a escolher uma empresa?

Os jovens puderam responder até três opções.

  • 54% escolheram oportunidade de crescimento.
  • 43% boa remuneração/ benefícios
  • 31% ambiente de trabalho que parece agradável.

Algumas outras opções foram: Empresa tradicional/ renomada (24%); flexibilidade de trabalho (20%); localização próxima de onde mora (20%).

Oportunidade de crescimento

  • 36% dos jovens optaram por oportunidade de crescimento quando foram restritos a uma resposta. Seguida por boa remuneração (16%).
  • 98% dos jovens consideram saúde mental muito importante

O levantamento também questionou jovens sobre a importância da valorização mental nas empresas. Nove em cada dez responderam que é muito importante, ou seja, 98% do total.

A escolha desses jovens está conectada com uma cultura de bem-estar, explica Elcio Paulo Teixeira, especialista em recursos humanos.

“Ele avalia se a empresa proporciona o necessário para que ele mantenha saúde mental e tenha equilíbrio para fazer suas atividades”.

A pandemia também influenciou a escolha, explica o especialista. “Quando ficamos expostos ao confinamento, muitos casos de ansiedade começaram a surgir e ela vai evoluindo para outras questões mentais. Trabalhar em um ambiente saudável ajuda a regular esse fenômeno”.



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