- Senador Flávio Bolsonaro (PL‑RJ) entrou na Argentina em 27/10 usando passaporte italiano antes de voar para Miami com a família.
- Ele, a esposa Fernanda e as duas filhas cruzaram a Ponte Tancredo Neves; as filhas apresentaram passaportes brasileiros e não houve controle da PF na saída do Brasil.
- Em 28/10, Flávio utilizou passaporte diplomático brasileiro para entrar nos EUA por Miami, conforme registro do Departamento de Estado.
- O ministro Alexandre de Moraes havia, em 25/10, ordenado o cancelamento dos passaportes brasileiros de Flávio e a entrega de documentos estrangeiros, ordem que o senador não cumpriu, informou a Polícia Federal.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) usou um passaporte italiano para entrar na Argentina na noite de terça-feira (27), antes de embarcar em um voo com sua família que tem como destino final Miami, nos Estados Unidos.
Flávio, sua esposa, Fernanda, e suas duas filhas entraram no país vizinho pela Ponte Internacional Tancredo Neves, na província de Misiones. As três apresentaram passaportes brasileiros.
Os quatro não passaram por nenhum posto de controle da PF ao deixarem o Brasil, já que não há essa exigência para a saída de brasileiros por fronteira seca.
Nesta quarta-feira (28), Flávio utilizou seu passaporte diplomático brasileiro ao entrar nos EUA por Miami, segundo registra o site do governo americano com o histórico do senador de entradas no país.
No domingo (25), o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), havia determinado que os passaportes brasileiros de Flávio fossem cancelados pela Polícia Federal. A intimação foi entregue às 11h desta segunda-feira (26)
O ministro também decidiu que Flávio deveria entregar qualquer passaporte estrangeiro que tivesse, o que ele não fez. A polícia oficiou Moraes informando o descumprimento da ordem por parte do senador.
Não havia ordem judicial para prender Flávio ou determinar alguma medida similar contra ele, e a PF não estava monitorando o senador quando ele deixou sua residência em Brasília.
A inteligência da corporação, porém, já contava com informações de que o senador provavelmente embarcaria no voo privado da companhia Baires Fly S.A., que estava na região da tríplice fronteira.
A decisão de Moraes dizia que, além do cancelamento dos passaportes nacionais e da entrega do estrangeiro, ele estava proibido de manter contato com o advogado Willer Tomaz. Os dois são investigados sob suspeita de lavagem de dinheiro.
Não havia, porém, uma ordem explícita de que o senador não poderia sair do território nacional.
Comunicado da Direção Nacional de Migrações da Argentina disse que “às 22h50 do dia 27/10 ingressaram pelo passo fronteiriço da Ponte Internacional Tancredo Neves, na província de Misiones, os cidadãos Flavio Nantes Bolsonaro, Fernanda Antunes Figueira Bolsonaro, Carolina Figueira Bolsonaro e Luiza Figueira Bolsonaro, que o fizeram com documentação hábil de viagem sem nenhum impedimento legal para o ingresso no país. Os trânsitos foram registrados pela autoridade de aplicação sem incidentes”.
O presidente Donald Trump afirmou na noite de terça que aprovaria a entrada nos Estados Unidos do senador, mas não sabia o paradeiro do aliado.
“Ouvi dizer que ele estava na Argentina, mas não sei onde está agora”, declarou. “Mas eu certamente me aproximaria bastante dele.”
Mais cedo, uma autoridade do Departamento de Estado confirmou à Folha de S.Paulo que o governo americano concederá vistos a Flávio e a seus familiares, autorizando a entrada e permanência nos Estados Unidos.