- Bebida que tem sucesso na Argentina recebeu versão em lata produzida no Brasil.
- A nova embalagem foi desenvolvida para atender ao mercado brasileiro.
- A versão em lata pode ser distribuída em supermercados nacionais ainda este ano.
Uma lata com cerca de 1.200 unidades marca a estreia da Fernandito, bebida criada por quatro amigos de Porto Alegre que decidiram engarrafar um hábito típico do Rio Grande do Sul. O produto junta licor Fernet com refrigerante de cola numa mistura pronta para beber, sem precisar levar duas garrafas para qualquer lugar.
João Eduardo Perin, Matheus Batistela, Lorenzo Flores Luzardo e Fernando Foresti Englert apostam que o formato prático vai conquistar quem já consome a combinação em bares, churrascos e estádios. A meta dos quatro sócios é superar R$ 1 milhão em faturamento já em 2027, primeiro ano completo da operação.
Um costume argentino que virou rotina Gaúcha
Misturar Fernet com cola é prática corriqueira no sul do Brasil, repetida em encontros de amigos e antes de partidas de futebol. A combinação chegou ao Rio Grande do Sul vinda da Argentina e se espalhou sem fórmula fixa — cada pessoa decide a proporção de licor e refrigerante conforme o próprio gosto.
O entrave sempre foi logístico: carregar uma garrafa de bebida alcoólica e outra de refrigerante só para preparar um ou dois copos soa pouco prático. Essa barreira cotidiana, e não uma pesquisa de mercado encomendada, deu origem à ideia por trás da Fernandito.
Da frustração pessoal ao projeto de negócio
Fernando relembrou, em depoimento à Exame, um episódio que resume o problema: ele chegou em casa direto de uma viagem a trabalho no dia de um Gre-Nal e encontrou os amigos prontos para seguir ao estádio. Sem disposição para carregar a garrafa inteira de Fernet, ele optou por cerveja mesmo sem ser essa sua primeira escolha.
A situação ficou na cabeça do grupo e, em janeiro de 2026, Matheus e Fernando — amigos de infância, segundo contaram à reportagem — passaram a estudar formas de comercializar uma versão já pronta da bebida.
Nos meses seguintes, a dupla se dedicou a mapear concorrentes, entender a legislação do setor e descobrir como fabricar uma bebida alcoólica própria sem erguer uma fábrica.
Quatro sócios, formações diferentes
João e Lorenzo entraram depois para fechar o time fundador, trazendo formações que se complementam dentro do projeto. João se formou em Design Estratégico, enquanto Lorenzo cursou Administração de Negócios Internacionais, o que ajudou a estruturar tanto a marca quanto o plano de expansão da empresa.
Essa divisão de funções entre os quatro sócios permitiu tocar simultaneamente produção, identidade visual e estratégia comercial da Fernandito desde o início. A ideia era lançar um produto com a cara do público gaúcho, mas pensado para crescer além da Serra Gaúcha.
Números do lançamento e metas futuras
A lata vendida pela Fernandito tem cerca de 350 mililitros, teor alcoólico de 7,9% e preço de R$ 15,99 ao consumidor. O lote de pré-lançamento desta semana soma aproximadamente 1.200 unidades, volume pensado para testar a aceitação antes de uma produção em maior escala.
Os fundadores calculam investir até R$ 200 mil ainda em 2026 para sustentar essa fase inicial do negócio. Caso as projeções se confirmem, a receita de R$ 1 milhão esperada para 2027 colocaria a Fernandito em posição de disputar espaço com marcas consolidadas de bebidas prontas, incluindo nomes como Aperol Spritz e Moscow Mule, hoje referência no segmento no Brasil.
O desafio agora passa por ampliar a distribuição além do público que já conhece o ritual do Fernet-Cola, levando a lata a supermercados e pontos de venda fora do Rio Grande do Sul.