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Opinião Econômica, por Érika Leal

Complexidade econômica e desigualdade de renda

Evento reuniu especialistas para debater o papel da complexidade econômica no desenvolvimento e nas desigualdades de renda no Brasil

Érika Leal, presidenta do Conselho Regional de Economia do Espírito Santo (Corecon-ES).

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  • O IX Encontro Nacional de Economia Industrial e Inovação (ENEI) ocorreu de 20 a 23 de maio de 2025 em Fortaleza (CE).
  • O evento, com tema “Financiamento e Desenvolvimento Brasileiro: Oportunidades e Desafios”, contou com mais de 100 artigos e sessões plenárias sobre desenvolvimento nacional.
  • Nas discussões, destacou‑se a complexidade econômica, medida pela diversidade e não ubiquidade dos produtos exportados, como indicador de prosperidade regional.
  • O próximo Plano ES 500 anos, a ser lançado no Espírito Santo, adotará a diretriz de aumentar a complexidade econômica das regiões.


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Dos dias 20 a 23 de maio de 2025, ocorreu em Fortaleza (CE), o IX Encontro Nacional de Economia Industrial e Inovação (ENEI). Neste ano o tema do evento foi “Financiamento e Desenvolvimento Brasileiro: Oportunidades e Desafios”.

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Com mais de 100 artigos apresentados e um conjunto de sessões plenárias de discussões sobre o desenvolvimento nacional, o encontro chegou em sua nona edição reunindo um grupo de pesquisadores de todo o País que formam recursos humanos e que produzem e compartilham conhecimentos em economia industrial e inovação para o desenvolvimento brasileiro.

Um dos temas de destaque nas sessões de discussões dos artigos foi a complexidade econômica, que é medida pela diversidade e ubiquidade de produtos presentes na pauta exportadora de uma região.

Quanto mais diversificada e capaz de produzir bens não ubíquos, mais complexa é uma determinada região. Para além da academia, o conceito de complexidade econômica tem sido utilizado por gestores públicos em todo mundo.

É natural que os policy-makers queiram elaborar políticas para tornar suas economias cada vez mais sofisticadas e complexas, pois regiões que diversificam suas estruturas produtivas e têm capacidade de produzir bens não ubíquos são mais prósperas.

O Plano ES 500 anos, que será lançado em breve no Espírito Santo, tem a diretriz da complexidade econômica bem estabelecida. Há um consenso entre os formuladores do Plano da necessidade de desenhar e executar políticas que levem a estrutura produtiva capixaba a alcançar patamares mais elevados de complexidade em 2035.

Outra diretriz clara é a redução das desigualdades. Diversos estudos mundo afora estão sendo realizados analisando as relações entre complexidade econômica e desigualdade de renda.

Os artigos discutidos em Fortaleza mostraram que ainda não há um consenso sobre a direção em que a complexidade econômica se relaciona com a desigualdade de renda.

O estudo seminal liderado por Hausmann (2015), voltado para regiões mexicanas, mostrou que a desigualdade de renda é menor em regiões mais complexas, no entanto, uma série de outros estudos mais recentes por pesquisadores em um número maior de países encontraram uma relação positiva entre complexidade econômica e desigualdade de renda, indicando que regiões mais complexas são mais desiguais.

Esses achados trazem implicações importantes para políticas públicas.

Em todos os exercícios realizados, a complexidade econômica se relaciona com a desigualdade, no entanto, são os canais de transmissão, as instituições, as demais políticas econômicas e sociais que são cruciais para determinar a direção em que a complexidade vai se relacionar com a desigualdade de renda.

Esse conjunto de condições é crucial para que um território se beneficie dos frutos da complexidade econômica permitindo redução das desigualdades de renda. Nesse sentido, torna-se ainda mais imperativo integrar as políticas públicas.

Ampliar a complexidade da estrutura produtiva ao mesmo tempo em que o ambiente institucional seja propício ao transbordamento dos benefícios de uma estrutura mais sofisticada para todos os capixabas.

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