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TRIBUNA LIVRE

A recuperação capilar após o câncer de mama

Recuperação dos fios após a quimioterapia exige cuidados específicos, paciência e atenção às mudanças na textura e no volume do cabelo

Ana Cláudia Barbosa é médica

Última atualização

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  • Quimioterapia para câncer de mama provoca queda de cabelo ao atingir células de rápida divisão, como as dos folículos capilares.
  • Revisão da literatura indica que cerca de 65 % das pacientes submetidas à quimioterapia convencional desenvolvem alopecia.
  • Estudo multicêntrico no Japão, com 1 478 mulheres tratadas com antraciclinas e taxanos, registrou queda de cabelo em 99,9 % dos casos.
  • Especialistas recomendam manter cuidados capilares após o término da quimioterapia para apoiar a autoestima e a recuperação.


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Quando falamos sobre os efeitos do tratamento do câncer de mama, a queda de cabelo costuma aparecer entre as primeiras preocupações das mulheres. E não é difícil entender o motivo. O cabelo está diretamente relacionado à autoestima, à identidade e à forma como cada pessoa se reconhece diante do espelho. Por isso, os cuidados com os fios não devem terminar quando a quimioterapia chega ao fim. A fase de recuperação também exige atenção.

A queda de cabelo provocada pela quimioterapia acontece porque os medicamentos atingem células que se multiplicam rapidamente. Como as células dos folículos capilares também apresentam alta atividade de divisão, acabam sendo afetadas durante o tratamento. Nem todos os protocolos provocam a mesma intensidade de queda, mas uma revisão da literatura estima que cerca de 65% das pessoas submetidas à quimioterapia convencional desenvolvam alopecia.

Em mulheres com câncer de mama tratadas com determinados esquemas à base de antraciclinas e taxanos, a frequência pode ser ainda maior. Estudo multicêntrico realizado no Japão com 1.478 mulheres que haviam recebido esse tipo de quimioterapia registrou queda de cabelo em 99,9% delas.

É importante entender, porém, que a queda não significa necessariamente uma perda permanente. No mesmo estudo japonês, 98% das participantes apresentaram recrescimento, que começou, em média, 3,3 meses depois do término da quimioterapia. O novo cabelo, entretanto, pode não ser exatamente igual ao anterior. É possível que ele inicialmente apresente outra textura, espessura, volume ou até outra tonalidade. Em muitos casos, essas características vão se modificando à medida que o folículo se recupera.

É justamente nessa fase que algumas mulheres se assustam. O cabelo pode nascer mais fino, mais seco, mais ondulado ou encaracolado, mesmo que antes fosse liso. Isso não significa, necessariamente, que esse será o aspecto definitivo dos fios. A recuperação acontece de forma gradual e varia de uma pessoa para outra.

Nesse período, o princípio mais importante é reduzir as agressões ao fio e ao couro cabeludo. Recomendo rotina delicada, com lavagem suave, pouca tração, cuidado ao pentear e redução do uso de secador, chapinha, modeladores térmicos e procedimentos químicos, como descoloração, alisamento e permanentes.

Outro ponto importante é não transformar a recuperação capilar em uma corrida. É comum haver ansiedade para que o cabelo cresça rapidamente, mas o folículo precisa de tempo para retomar seu funcionamento. A recuperação capilar deve respeitar o tempo de cada mulher e ser acompanhada de forma individualizada. Com os cuidados adequados e orientação profissional, é possível identificar as necessidades dos fios e do couro cabeludo em cada etapa. Mais do que recuperar a aparência, cuidar dos cabelos também significa acolher as mudanças vividas durante o tratamento e contribuir para a retomada da autoestima e do bem-estar.


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