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Economia

Empresa anuncia data center de R$ 7,4 bi com até 550 empregos no ES

Grupo capixaba já comprou área em Baixo Guandu e negocia com investidores globais para até 2031 viabilizar o empreendimento

Imagem aérea do terreno previsto para a implantação do empreendimento em Baixo Guandu

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  • A Line Solution, sob a direção de Mário Rodrigues, anunciou a construção de um data center de R$ 7,4 bilhões em Baixo Guandu, Noroeste do Espírito Santo.
  • O empreendimento ocupará 234 alqueires (566,28 ha) e criará até 550 vagas – 50 para operação e cerca de 500 para a fase de obras.
  • O investimento inicial, estimado em R$ 150 milhões, inclui aquisição, projetos e licenciamento, com mais de R$ 35 milhões já investidos na compra do terreno.
  • Com capacidade de 100 MW, o centro atende à demanda global por data centers hyperscale, que supera a oferta em cinco vezes.

Um investimento de R$ 7,4 bilhões em um data center em Baixo Guandu, na região Noroeste do Espírito Santo, promete criar até 550 vagas de emprego, sendo 50 para a operação e até 500 para a fase de obras.

O projeto já possui área, em um terreno de 234 alqueires – equivalente a 566,28 hectares. Mais de R$ 35 milhões em recursos próprios foram investidos na aquisição. O início das operações está previsto para 2031.

Sob responsabilidade técnica da holding capixaba Line Solution, o projeto está atualmente em fase de licenciamento, desenvolvimento e captação de recursos, com rodadas de negócios previstas para ocorrer em São Paulo, Nova Iorque, nos Estados Unidos, e Xangai, na China.

O investimento inicial, para a fase de aquisição, projetos e licenciamento, é estimado em R$ 150 milhões. “Quando locarmos o espaço, entramos na fase do CapEx bilionário. Orçado hoje, para fazer um módulo de 100 MW de capacidade computacional, o custo é de cerca de R$ 7,4 bilhões”, diz o fundador e CEO da Line Solution, Mário Rodrigues.

Conversas com investidores estratégicos e fundos de investimento globais já estão sendo feitas, sob acordos de confidencialidade. Dois potenciais investidores já demonstraram interesse no projeto.

A proposta é que o potencial seja totalmente locado para uma única empresa. “O nosso data center será pequeno dentro desse mercado. Já dá para ver na comparação com o de Pecém ou o de Eldorado do Sul. A questão é que é uma pauta nova para o Estado”, explica.

A demanda global por data centers de “hyperscale”, ou seja, de aumento de escala de acordo com a demanda, é hoje cinco vezes maior do que a oferta, aponta o investidor. Projeções indicam que a demanda pode ser até 15 vezes maior nos próximos 10 a 15 anos.

O contrato padrão de empresas para o processamento de dados é de 20 anos, dolarizado, firmado diretamente com as “big techs” – fórmula que promete rentabilidade para investidores.

Em Pecém, no Ceará, a gestora de fundos paulista Pátria Investimentos vai montar um data center de R$ 292 bilhões, que já foi 100% alocado para a ByteDance, dona do TikTok, antes mesmo do início das obras. A expectativa é que a celeridade também ocorra no Estado.

Soberania digital dos dados da população brasileira

A ampliação da infraestrutura de transmissão de energia e a desburocratização para dar agilidade a investimentos são demandas para que o setor ganhe tração no Estado e no País, comenta Mário Rodrigues.

A atividade é uma das que ganharam atenção do governo federal, com o objetivo de garantir a soberania digital dos dados gerados por brasileiros.

Sancionado em 15 de setembro, o Redata concedeu por cinco anos a suspensão de tributos federais na compra de máquinas, servidores, hardware e componentes, tanto no mercado interno quanto no externo sem similar nacional.

Para Rodrigues, é preciso ampliar o olhar para fortalecer a rede de transmissão, já que o Brasil tem geração excedente de energia, mas carece de infraestrutura adequada para levá-la de um lado a outro do País

Condomínios logístico e industrial na mesma área

O projeto da Line Solution para o terreno não contempla só um data center. Na mesma área, outros dois projetos estão sendo estruturados: um condomínio logístico e outro industrial.

Segundo o CEO Mário Rodrigues, a área industrial será voltada para a atração de indústrias pesadas e para as cadeias de suprimentos do agronegócio e de importação e exportação.

Já o condomínio logístico será intermodal, conectando rodovia — por estar às margens da BR-259 — e ferrovia, uma vez que a Estrada de Ferro Vitória-Minas (EFVM) corta o terreno. “Hoje, você consegue carregar um trem no Porto de Tubarão e descarregar no Centro-Oeste do Brasil. O transporte férreo é quatro vezes mais barato”.

Ele afirma que o local não atenderá operações voltadas ao consumo varejista direto ou centros de distribuição para e-commerce.

O diretor de Atração de Investimentos da agência NovaES, Danilo Pescuma, que trabalha na intermediação da captação dos investimentos, ressalta o potencial da região para a movimentação de produtos agrícolas. “É uma região próxima a Santa Maria de Jetibá, o que possibilita oportunidades relacionadas à logística agrícola”, comenta, considerando o consumo do forte setor de avicultura.

Investimentos

A holding Line Solution iniciou a estruturação do “Projeto Rubi”, um complexo de 11 milhões de metros quadrados (234 alqueires) em Baixo Guandu.

O empreendimento abrange três frentes de negócios: um data center voltado para inteligência artificial, um condomínio logístico intermodal e um condomínio industrial.

A empresa detém um terço de participação no negócio, sendo responsável pela concepção e pelo desenvolvimento de toda a infraestrutura.

Por que Baixo Guandu?

A área do projeto foi escolhida em Baixo Guandu por reunir acesso direto aos três pilares fundamentais do setor: água, energia e conectividade.

A captação hídrica será viabilizada pela proximidade com a Usina de Mascarenhas, que conta com uma reserva de 21,8 milhões de metros cúbicos de água doce.

A infraestrutura elétrica é favorecida pela presença de três redes de transmissão de alta tensão e por uma subestação situada a cerca de 180 metros do local, garantindo alta capacidade energética sem sobrecarga no sistema.

A conectividade será atendida por linhas de fibra óptica subterrâneas que acompanham o traçado da Estrada de Ferro Vitória-Minas, ligando o trecho ao Centro-Oeste e a Belo Horizonte.

Infraestrutura

A unidade terá capacidade computacional inicial de 100 MW, volume equivalente ao processamento simultâneo de 15 a 20 milhões de transmissões em 4K.

A operação utilizará sistema de resfriamento fechado (cooling), com reutilização contínua de água e reposição mensal estimada no volume consumido por apenas três casas populares.

A emissão sonora do empreendimento atingirá de 45 a 50 decibéis a 20 metros de distância, mantendo níveis equivalentes aos de um eletrodoméstico comum.

Impacto econômico

A estimativa de arrecadação de ISS para o município de Baixo Guandu, segundo a Line Solution, varia entre R$ 50 milhões e R$ 60 milhões ao ano, considerando a alíquota de 5% sobre a receita bruta.

Cronograma

As etapas de licenciamento ambiental, projetos técnicos e aprovações regulatórias têm prazo estimado de três anos. Já a fase de obras civis, importação de maquinários e instalação dos equipamentos exigirá mais dois anos de execução.

A sanção da legislação federal para o setor deve gerar uma economia de R$ 800 milhões a R$ 1 bilhão no CapEx do projeto via isenção de impostos de importação.

Fonte: Mário Rodrigues (empresário)



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